Em discurso feito na tribuna do Senado Federal, o senador Vital do Rêgo
(PMDB-PB), lamentou os efeitos da seca que castiga o nordestino, e cobrou um
calendário rigoroso para a conclusão das obras da Transposição do Rio São
Francisco, apontada como obra do século e redenção do povo
nordestino.
Vital que foi aparteado pelos senadores Inácio Arruda, Walter
Pinheiro e Wellington Dias, enfatizou em seu discurso que a seca que ora afeta o
Nordeste, tem causado sofrimento ao sertanejo que sente os efeitos de forma
drástica nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio
Grande do Norte, Sergipe e parte de Minas Gerais.
Da Tribuna do Senado,
Vital relatou a situação que passa o nordestino e disse que as autoridades não
podem ficar insensíveis ao drama, mais produzir alternativas viáveis para
amenizar o sofrimento do povo.
Com base em informações do Departamento
Nacional de Obras Contras as Secas (DNOCS), ele lembrou por conta da seca, os
açudes do Piauí já registram baixa no volume de água armazenada de 45% enquanto
no Ceará a reserva hídrica já caiu 50%. Na Paraíba conforme relatou o
parlamentar, a situação não é diferente. Os dados do DNOCS revelam que os
reservatórios monitorados pelo órgão federal, constam apenas com 16% das suas
reservas. Alguns açudes como Coremas Mãe D”água, o maior do Estado, e o
Engenheiro Ávidos, estão bem abaixo de sua capacidade total de
armazenamento.
“A seca continua castigando os nordestinos. Neste ano de
2012, o fenômeno veio com uma violência que não víamos há mais de 40 ou 50 anos.
Algumas cidades já passaram de dois anos sem qualquer sinal de chuva, e a seca
assola a região de modo generalizado, com graves repercussões econômicas e
sociais. O sofrimento do nordestino é patente. Sinto-o dolorosamente”, clamou
Vital.
O senador enfatizou que a ausência de água, prejudica o fluxo da
vida da população. Em períodos de longa estiagem como o que o Nordeste atravessa
esse ano, fica difícil obter água para cozinhar, para beber, para tomar banhar.
A água para a lavoura, seja de vazante ou de plantação de maior porte, está
completamente comprometida. Os rebanhos morrem, a produção de leite caiu pela
metade.”Desfia-se um rosário de misérias que parece não ter fim, rosário que,
como o fio da meada de algum obscuro labirinto, vai encadeando Morte e Vida
Severina”, ilustrou Vital.
Diante de vários senadores da bancada
nordestina, Vital ressaltou que a seca é um antigo problema, conhecido há
séculos sem que consigamos equacioná-lo devidamente. Para Vital, mais que um
problema, a seca é um desafio e uma a batalha travada ao longo de todo esse
tempo, condicionada a recursos insuficientes, a programas cujos investimentos
não resolveram, nem mesmo localmente, a situação de penúria dessa parte do
Brasil. “Penso, neste momento, nos mortos da seca, nos deserdados da chuva,
naqueles que vivem com o mínimo existencial”, lamentou.
Ainda lamentando
o flagelo da seca, Vital disse que que não é fácil viver dentro do território
que sofre com a escassez de água, principalmente no semiárido
nordestino.
Como se não bastasse o drama da seca, o Nordestino segundo
Vital, ainda sofre para liquidar as dívidas rurais contraídas junto a
instituições como o Banco do Nordeste.
Na condição de presidente da
comissão especial externa constituída no Senado para acompanhar as obras da
transposição do Rio São Francisco, Vital cobrou ações emergenciais para amenizar
o sofrimento do Nordestino. Nesse sentido, defendeu um “calendário rigoroso”
para conclusão da transposição. Para ele, a transposição é a solução definitiva
para a seca que assola a região.
“É necessário que se vejam essas soluções como emergenciais, mas não se deixe
de focar que a luta para definição da obra de transposição não pode ser uma
política de um olhar a médio ou longo prazos. Ela tem que ser, , para ontem,
para ontem mesmo”, cobrou.
Para Vital, estamos, realmente, em uma
situação vexatória, onde vidas estão correndo risco, e por isso, ele fez um
apelo para que as ações de curtíssimo prazo como aquelas que tratam do
arraçoamento animal, aquelas que tratam das ações de carros-pipa para o
abastecimento humano, aquelas que sejam fontes de recuperação mínima da
existência animal e humana possam servir como mecanismo paliativo.
“ Por
isso que eu me uno aos colegas Senadores paraibanos: Cássio Cunha Lima e Cícero
Lucena, para, desta tribuna, da mais alta envergadura do Congresso Nacional,
dizer que a Paraíba pede socorro e exige uma ação rápida e convocar todos os
companheiros Senadores do Nordeste envolvidos com o projeto da transposição do
Rio São Francisco definir o plano de trabalho da Comissão Especial que tratará
da matéria”, conclamou.